Icebergs podem ajudar a combater gases do efeito estufa da France Presse, em Chicago

Longe de serem simples pedaços de gelo flutuante, os icebergs do oceano Austral, perto da Antártida, são centros de atividade que podem ajudar o planeta na luta contra o aquecimento global. Examinando duas gigantescas ilhas de gelo no mar de Weddell, pesquisadores descobriram que os icebergs atraem bandos de aves marinhas, além de colônias de algas, krill e peixes.

É possível que esses pequenos ecossistemas marinhos ajudem a diminuir a quantidade de dióxido de carbono presente na atmosfera, seqüestrando o gás para as profundezas do oceano graças às algas, que absorvem carbono por meio da fotossíntese, passando-o adiante dentro da cadeia alimentar.

“Ao mesmo tempo que o derretimento das calotas polares na Antártida contribui para elevar o nível do mar e desencadear outras tantas mudanças climáticas, a função de remover carbono da atmosfera pode ter implicações para o clima que ainda precisam ser estudadas”, afirmou Ken Smith, oceanógrafo do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), na Califórnia (EUA).

É cedo para definir como esse fenômeno afetaria o oceano Austral. Considerado um dos “pulmões” do mundo, ele é um depósito natural do dióxido de carbono produzido pelo homem, avaliou Smith. Com base em suas descobertas e imagens de satélite, os cientistas acreditam que os icebergs podem incrementar a produção biológica do mar de Weddell em cerca de 40%.

Efeito auréola

O número de icebergs do oceano aumentou na última década, enquanto o aquecimento global reduziu sensivelmente o tamanho das calotas polares.

Segundo o estudo, divulgado na publicação “Science”, Smith e sua equipe examinaram dois icebergs no mar de Wenddell no início de 2005, utilizando um equipamento submarino com câmeras, operado a distância.

As ilhas geladas mediam 20 quilômetros de comprimento e mais de 40 metros de altura, uma delas chegando a se estender por cerca de 300 metros dentro d’água.

Os pesquisadores encontraram grandes concentrações de vida marinha, como fitoplâncton e krill, além de aves como fulmares e petréis, que circulam num raio de até 3,5 quilômetros em torno dos icebergs.

A equipe de cientistas atribui esse “efeito auréola” ao fato de que, com o derretimento dos icebergs, o material orgânico terrestre acumulado no gelo se espalha, “fertilizando” as águas ao redor.

O gelo derretido aparenta ser rico em ferro, que estimula a proliferação de fitoplâncton, base mais elementar da cadeia alimentar.

“O oceano Austral sofre com a falta de material orgânico terrestre, pois não é abastecido por grandes rios. Os icebergs são um estuário em movimento, distribuindo os nutrientes contidos nesse material, cujo suprimento é normalmente feito pela água doce dos rios em outras áreas dos oceanos”, afirmou Timothy Shaw, especialista em geoquímica na Universidade da Carolina do Sul.

Anúncios